Notícias do Brasil Isabella Garcia 18/10/2025 118 views

Terras raras abrem nova era de investimentos do capital estrangeiro no Brasil

Os elementos de terras raras são essenciais para a transição energética e estão no centro da geopolítica atual

As “terras raras” ou “metais de terras raras” (ETRs) são um grupo de 17 elementos químicos que, apesar de serem abundantes na Terra, possuem baixa concentração nos depósitos. O processo de extração e separação desses metais é caro e o retorno sobre investimento é demorado, por isso, são pouco explorados. Nos últimos anos, a procura por esses elementos está aumentando, pois são essenciais para a transição energética e para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como carros elétricos, turbinas eólicas e componentes eletrônicos. 


Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de ETR (23%), ficando atrás apenas da China (40%), em valores aproximados. Entretanto, o Brasil detém menos de 1% de toda a produção mundial, o que faz com que a China domine o cenário. O monopólio da China sobre a produção de terras raras tem provocado disputas geopolíticas, principalmente com os Estados Unidos (EUA). 


Interesses econômicos nas terras raras brasileiras


Nesta quinta-feira (16), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou um encontro no final do mês com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, para tratar do tema. Os estadunidenses demonstraram interesse em explorar minerais estratégicos e críticos no país, o que inclui as terras raras, além da implantação de data centers.A manifestação de interesse dos EUA em explorar terras raras no Brasil ocorre em meio a uma crise do país norte-americano com a China, como a “guerra tarifária” e restrições de exportação, e que tem impactado no mercado global de terras raras. 


Em Minas Gerais, a mineradora australiana St George anunciou arrecadação na casa dos R$254 milhões para o Projeto Araxá, localizado na cidade do Alto Paranaíba. Araxá tem alta concentração de terras raras e nióbio, o que atraiu os investimentos estrangeiros. Uma parceria entre a St George Mining e o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais) mira a construção de uma planta piloto no local para processar o material minerado. 


Concentração de reservas e desafios no Brasil


Segundo o Serviço Geológico do Brasil, os principais depósitos de ETRs estão concentrados em Minas Gerais (Araxá, Poços de Caldas e Tapira, sendo apenas a primeira oficialmente reconhecida), Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Entretanto, alguns depósitos não podem ser explorados, como Seis Lagos (AM), que está localizado dentro de terras indígenas.


Devido à emergência do assunto, o governo federal instalou o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), que irá tratar das políticas públicas de exploração mineral no país, inclusive das terras raras. Integram o Conselho, além do Ministério de Minas e Energia, 18 ministérios. 


Para a Agência Brasil, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, explicou que: “Esse conselho tem exatamente as mesmas atribuições do CNPE, e vai deliberar sobre o norteamento das políticas públicas acerca do setor mineral do país, dando condições para a agência reguladora [Agência Nacional da Mineração]. A partir daí, irá implementar essas políticas públicas, em especial, nesse momento, onde o mundo debate com tanto vigor a importância dos minerais críticos e estratégicos para a descarbonização, para a transição energética, a segurança alimentar, enfim, para a soberania nacional”.


O principal desafio para o governo é assegurar que o país não será apenas fornecedor de commodity - matéria-prima, que possui baixo valor agregado no mercado -, mas que tenha tecnologia suficiente para desenvolver a indústria interna e produzir mercadoria de alto valor para o mercado interno e externo. Atualmente, o Brasil é um grande exportador de commodity, principalmente no setor agrícola.

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