
Denúncia contra Priscila da Saúde é aceita na Câmara Municipal de Bambuí
Episódio reforça crise entre governo e oposição, que atualmente conta com apenas uma parlamentar na Câmara
Quase dois meses após a cassação de Mário Sérgio Pereira (AVANTE), a Câmara Municipal de Bambuí se envolve em mais uma polêmica: a denúncia contra a vereadora Priscila da Saúde (PSB). O motivo é um vídeo divulgado pela vereadora em suas redes sociais, que mostra um veículo oficial do município estacionado na porta de um restaurante na cidade. A denúncia foi apresentada ao plenário nesta segunda-feira (15), e acatada pela maioria dos parlamentares.
Contexto da denúncia
Em um dos vídeos, Priscila conta - sem citar nomes - que viu funcionários da Prefeitura Municipal de Bambuí almoçando no restaurante com o carro estacionado na porta, o que, em seu entendimento, configura improbidade administrativa. “Bem público só pode ser usado para interesse público. [...] Se os funcionários têm que almoçar, que seja no carro deles, não no carro que o povo paga o combustível, a manutenção, o veículo.”, ela argumenta.
Devido à repercussão, a Prefeitura Municipal de Bambuí publicou em suas redes sociais uma nota com o título “Alerta de fake news”, em que acusa a vereadora de estar mentindo sobre a situação - e sugere que este comportamento lhe é recorrente. “A vereadora Priscila Cristina está esparramando mais uma mentira. Ela insinuou (como costuma fazer) que um servidor estava usando um veículo oficial no horário de almoço de forma ilegal [...].”, diz um trecho da nota.
Em tréplica, então, a vereadora publicou outro vídeo em suas redes sociais, reiterando sua responsabilidade enquanto vereadora de fiscalizar o Executivo. “Senhor prefeito, qual o nome se dá quando se usa as redes sociais de uma instituição para atacar uma pessoa?”, ela indaga ao final.
O que afirma a Prefeitura
Na nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura Municipal de Bambuí esclarece que o carro estava sendo utilizado para catalogar bens tombados em Bambuí e no transporte da arquiteta patrimonialista, Dalva Souza, servidora do IEPHA (Instituto Estadual de Patrimônio Histórico).
Ressalta, ainda, que a pausa se deu para que Dalva e o servidor (que não teve o nome divulgado) pudessem almoçar, e que depois disso, continuaram o trabalho. Por fim, a nota solicita que a vereadora faça uma retratação pública e indica que, caso isso não fosse feito, medidas judiciais seriam tomadas contra ela.
Aceitação da denúncia
A reunião teve início com o oferecimento da denúncia, representada pelo gerente de cultura da Prefeitura de Bambuí, Glaucus Lemos, que almoçava com a arquiteta do IEPHA. No texto, o representante acusa Priscila de cometer “atos incompatíveis com o mandato parlamentar”, e reitera que o veículo estava sendo utilizado para catalogar bens públicos, sendo aquela uma pausa das atividades para o almoço. Em votação, os vereadores presentes acataram a denúncia, sendo o único contrário o vereador João Pedro Oliveira (PRD).
Para apurar a denúncia, foi instaurada uma Comissão de Ética, cujos sorteados foram os vereadores Robson Frazão (MDB), Werner Aparecido de Carvalho (PDT) e Adriana Michele Gonçalves Silva (União Brasil).
Durante o momento de fala, Priscila relembrou da cassação de Mário Sérgio Pereira, da qual foi contrária, e afirmou que, assim como ele, está sendo perseguida politicamente e vítima de revanchismo político. Atualmente, ela é a única parlamentar da oposição ao governo Executivo Municipal.
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